A HISTÓRIA DE UM EX-GOLEIRO CHAMADO ILZOMAR, QUE ATUOU NOS GRAMADOS PARAENSES E ACREANOS NO PERÍODO DE 1972 A 1991- PARTE 2
Devo aqui citar dois casos que aconteceram comigo nesse ano de 1978 e que mais tarde trouxeram conseqüências edificantes para mim. O primeiro aconteceu com um torcedor do clube que sempre se apresentava como diretor do Independência F. C., mas na verdade era apenas um intermediário para resolver pequenas pendências entre a diretoria e os jogadores. Esse torcedor se chamava CAETANO, um policial civil que sempre me tratava com respeito e admiração. Entretanto, certa vez conversava eu com uma sobrinha do CAETANO, a quem pretendia namorar, quando ele passou e, de forma ríspida e adivinhando minhas intenções, chamou a moça e disse em alto e bom som: “ Olha, menina, não quero tu namorando com jogador de futebol que é tudo vagabundo!”. Após isso a menina olhou para mim, pediu desculpas e nunca mais a vi.
Independência de 1978. Em pé, da esquerda para a direita: Ilzomar, Deca, Belo, Santiago, Chiquinho, Henrique e Ronyvon( treinador ); agachados: Valdir Silva, Rui Macaco, Laureano, Saúba e Tonho.
Outra formação do independência F. C., 1978. Em pé, da esquerda para a direita: Belo, Pedrinho, Mário Sales, Aníbal e Chiquinho; agachados: Ilzomar, Tom, Da guia, Valdir Silva, Torôco e Litro.
Seleção Acreana de 1978. Em pé, da esquerda para a direita: Edson Ângelo e Ronyvon (treinadores), Ilzomar, Tadeu, Pintão, Cleiber, Paulinho Pontes, Mário Vieira, Deca, Pitico e Tião; agachados: Nelson, Dadão, Irineu, Said, Duda, Carioca, Litro e Valdir Cachorro.
Outro caso semelhante e digno de registro aconteceu na mesma época quando, certo dia, eu estava em um posto de gasolina que fica até hoje na Avenida Getúlio Vargas, em frente à antiga casa de eventos “Lua Azul”, bairro do Bosque. Estava conversando com um frentista do posto conhecido por LOURO, um fanático torcedor do Independência F. C., quando ali apareceu o dono, parou o carro próximo de onde eu estava e disse para o LOURO a frase seguinte e olhando para mim: “Eu não quero nenhum vagabundo no meu posto!”. Após isso achei melhor me afastar do local, até mesmo para não prejudicar o frentista LOURO.
Sabe qual o desfecho de tudo isso? Muitos anos depois, quando já atuava como Delegado de Polícia, cargo que passei a exercer depois da conclusão do Curso de Direito e ter sido aprovado em um concurso de provas e títulos, o CAETANO, que era policial civil, certa vez me procurou pedindo alguns favores e me chamando de DOUTOR! Ajudei o CAETANO naquilo que era possível ajudar. Será que ele lembrou que muitos anos atrás me chamou de “vagabundo”. Isso eu nunca vou saber, até porque o CAETANO já é falecido.
Quanto ao dono do posto de gasolina, que aqui não vou publicar seu nome, apenas declaro que ele é descendente de nipônicos, no ano de 1995, quando eu era Titular do 1º Distrito Policial, que fica até hoje no bairro Cadeia Velha, a polícia fez uma operação que culminou com a apreensão de várias armas de fogo ilegais na casa desse empresário. Hoje, em qualquer local ou lugar onde esse cidadão me vê, vai ao meu encontro, elogia-me de forma ostensiva e só me chama de DOUTOR. Confesso que, embora ainda não tenha doutorado, se merecer esse título um dia jamais farei questão de usá-lo. Soa para mim como algo prepotente e esnobe. Coisa de gente pequena que acha que está acima de tudo e de todos e não é absolutamente nada. Detesto isso!
Já o ano de 1979 foi, para mim, um ano abençoado (ou nem tanto!). Primeiro, porque o Independência F. C. não cumpriu o contrato que tinha comigo. Ou seja, fiquei sem teto, sem alimentação, sem salário e apenas contando com algumas pessoas que me respeitavam. Havia na época um restaurante muito conceituado no bairro do Bosque, a Churrascaria do Oscar, talvez a mais conhecida da cidade. Nesse ano de 1979 muitas vezes tive que apelar para a benevolência das pessoas. Fiquei sem salários, a temporada futebolística não havia começado e eu não queria voltar para Belém. Assim, quando precisei me alimentar e sem ter dinheiro para satisfazer minhas necessidades primárias, aparecia na Churrascaria do Oscar nos horários das refeições, parava na porta, um torcedor ou mesmo um conhecido me via, chamava-me para conversar e logo recebia o convite para sentar à sua mesa. Claro e evidente que o próximo convite era para participar do almoço ou jantar, convite que não era dispensado por mim de jeito nenhum. Segundo, como não queria retornar para minha cidade de origem “de mãos abanando”, escolhi ir para o Exército apenas para ter um lugar para morar e comer. Ou seja, tornei-me um “laranjeira”, como se dizia no ambiente castrista para identificar o militar que morava no quartel.
Essa decisão de prestar o serviço militar foi importante para mim. Como não tinha outra opção, a não ser voltar para Belém, resolvi ficar no Exército até as coisas melhorarem naquele ano de 1979. Já tinha decidido que o Acre era o meu futuro e aqui pretendia ficar, porém, como não tinha familiares em Rio Branco-Acre precisei ir para o antigo 4º Batalhão Especial de Fronteiras- 4º BEF-, hoje 4º BIS, prestar o serviço militar e morar na caserna. Só assim eu teria comida e casa “de graça” até as coisas melhorarem.
Apenas para ilustrar minhas incursões à Churrascaria do Oscar nesse ano de 1979, lembro-me também que muitas vezes, ao chegar nesse restaurante, não havia ninguém ou tinha uma ou duas pessoas desconhecidas. Nesse caso, como conhecia os garçons, sentava-me em uma mesa, pedia um “meio-espeto” e, após consumir o alimento, chamava o garçon, dizia que não tinha dinheiro e me comprometia a retornar para pagar a dívida sem mencionar datas. O garçon geralmente era meu admirador e torcia pelo Independência F. C., o que facilitava as coisas para mim. No entanto, quando conseguia dinheiro eu sempre voltava para quitar a dívida, o que me abria as portas para novas investidas do gênero. Lembro-me bem que um desses garçons era o OSMAR, hoje servidor público, a quem agradeço de coração.
Naquele ano apresentei-me no antigo 4º BEF já com 20 anos. Ali fui recepcionado pelo Tenente SARAIVA, que já me conhecia como jogador. Esse Oficial logo me colocou em um canto e não permitiu que eu fizesse os testes físicos e intelectuais, testes estes obrigatórios para qualquer conscrito. Dizia ele que eu seria o goleiro do time do BEF. Também fui muito bem recepcionado pelos graduados e demais Oficiais da Força, que como o Tenente SARAIVA já me conheciam através da imprensa ou mesmo assistindo aos jogos no Stadium “José de Melo”. O fato é que as coisas ficaram bem fáceis para mim por ser já conhecido e, principalmente, por ter um físico avantajado na época. Daria um bom soldado, como diziam naquele final de década. E realmente foi isso que aconteceu.
Naquele mesmo ano e depois de ter me destacado na Força como um excelente soldado e atleta, logo fui escolhido para fazer um Curso de Formação de Cabos do Exército. Após ser aprovado em primeiro lugar nesse curso, fui imediatamente escolhido, juntamente com mais dois alunos, o ALVES e o OLIVEIRA, para participar de um Curso de Formação de Sargentos Temporários, que naquele ano seria realizado no 2º BIS, que até hoje fica exatamente a uns dois quilômetros da minha casa, talvez menos, em Belém-Pa. Só tinha um problema: o Exército não pagava as passagens de ida. Isso ficaria a cargo dos interessados. Dizia o Comandante do batalhão que o curso já havia começado e o Exército não dispunha de receitas legais para pagar as passagens dos alunos do 4º BEF. Eu não tinha rendas, salvo aquela proporcionada pelo Exército, cerca de 50% do salário-mínimo. Na época passagem aérea era cara, principalmente para Belém-Pa. Foi aí que me lembrei que o Atlético Acreano estava interessado em mim para a temporada daquele ano. Imediatamente fui procurar os dirigentes dessa agremiação.
Na fase romântica do futebol acreano os grandes clubes eram comandados geralmente por um dirigente com projeção política no Estado do Acre e com raízes profundas dentro de cada agremiação, identificação esta que vinha, em alguns casos, desde a fundação do clube. Assim era o Atlético Acreano da época, que tinha na pessoa do Promotor Público e advogado ADAUTO BRITO DA FROTA seu dirigente eterno, tendo ao seu lado outro atleticano, o RIVALDO PATRIOTA. Esse grande acreano, o ADAUTO, também era prefeito da cidade e destacado político do Estado do Acre. Mas isso acontecia também no Independência F.C., que tinha o EUGÊNIO MANSOUR como destacado dirigente, além do ADALBERTO ARAGÃO, que mais tarde foi Prefeito de Rio Branco e Deputado Estadual, assim como no Atlético Clube Juventus, que era presidido permanentemente e de forma eficaz pelo saudoso ELIAS MANSOUR. O empresário SEBASTIÃO DE MELO ALENCAR estava sempre presidindo o Rio Branco de então, que também tinha a figura do Dr. EDMIR GADELHA como ponta de lança do clube. Assim era o futebol acreano da época. Assim também era nas equipes consideradas pequenas, caso do ANDIRÁ, FLORESTA, INTERNACIONAL, AMAPÁ, SÃO FRANCISCO etc., todas tendo à frente um dirigente mais abnegado, que impulsionava seu time de futebol.
Pois bem. Ao conversar com o ADAUTO BRITO DA FROTA e explicar minha situação, este dirigente, de forma simpática, me forneceu as passagens para Belém com uma condição: quando retornasse viria jogar no Atlético Acreano, que na verdade era o meu desejo, uma vez que os dirigentes do Independência F. C. não tinham cumprido o acordado comigo e me deixado naquela situação difícil.
Depois de concluído o Curso de Formação de Sargentos Temporários com louvor em Belém (fiquei em terceiro lugar num total de 45 alunos de todo o norte do Brasil), retornei ao Acre em setembro ou outubro de 1979. Já em janeiro de 1980 recebi minha promoção de Sargento do Exército e comecei minhas atividades como instrutor-monitor no antigo 4º BEF. Como acertado com o Atlético Acreano, também me apresentei no clube e logo fui titular da equipe, tendo o TIDAL como meu companheiro de posição. Naquele ano de 1980 o Atlético tinha como treinado o GUALTER CRAVEIRO, que foi substituído pelo ALÍCIO SANTOS no ano seguinte. Não fiz uma boa temporada e quase não ganhamos nada naquele ano. Ainda tinha que conciliar minhas atividades militares com as de atleta. Também nessa época fui morar em um conjunto de quartos existente até hoje atrás da sede do Atlético Acreano, que fica na Gameleira. Tive como companheiros morando no mesmo quarteirão os jogadores JAIME, TADEU, GILMAR, LÉCIO, ERIVALDO, POMPEU, RAIMUNDINHO, PINTÃO, entre outros. Alguns desses jogadores eram “come-e-dorme”, mas havia alguns que trabalhavam e jogavam, como era o meu caso e o do PINTÃO. Era divertido o ambiente, as festas eram constantes e sempre tínhamos boas companhias femininas.
O Atlético Acreano de 1980. Em pé, da esquerda para a direita: Targino, Ilzomar, Jaime, Gilmar, Lécio e Bento; agachados: Paulinho Pontes, Adriano, Nirval, Pintinho e Raimundinho.
Outra formação do Galo( Atlético Acreano ) de 1981, no Copão da Amazônia daquele ano. Da esquerda para a direita e em pé: Maurílio, Ilzomar, Chiquinho, o radialista Roberto Vaz, Pompeu, Targino e Lécio; agachados: Manoelzinho, Valdir Cachorro, Gilmar, Neivo e Pitu.
A mesma formação do Atlético Acreano de 1981
Atlético Acreano de 1980. Em pé, da esquerda para a direita: Lécio, Ilzomar, Jaime, Pintão, Tadeu, Gilmar, Tidal e Gualter Craveiro (treinador); agachados: Erivaldo, Paulinho Pontes, Raimundinho, Pintinho e Nirval.
Atlético Acreano, 1980. Em pé, da esquerda para a direita: Ilzomar, Pintão, Targino, Lécio, Tadeu e Chiquinho; agachados: Raimundinho, Neivo, Gilmar, Pintinho e Paulinho Pontes.
Atlético Acreano, 1981. Em pé, da esquerda para a direita: Targino, Ilzomar, Pintão, Jaime, Erivaldo e Lécio; agachados: Manoelzinho,Valdir Cachorro, Neivo, Pitu e Chiquinho.
O Jornal, 1981.
A zaga do Atlético Acreano de 1981. Da esquerda para a direita: Ilzomar, Pintão, Targino, Jaime, Chiquinho e Lécio.
Torneio do Povo de 1981, estádio Dom Giocondo, do Juventus. Independência F. C. e Atlético Acreano. O goleiro Ilzomar (Atlético) intercepta um cruzamento dentro da área sendo fustigado pelo atacante Medeirinho (Independência F. C.). Os zagueiros Pintão, Lécio e Jaime (Atlético) apenas observam.
O Jornal, 1981.
Atlético Acreano e Juventus, Torneio do Povo de 1981. Ataque juventino em ação. O atacante Antonio da Loteca (Juventus) disputa uma jogada aérea com o goleiro atleticano Ilzomar. Na imagem também aparecem o atacante Carlinhos Bonamigo e o lateral Mauro, ambos do Juventus, além do médio Targino (Atlético).
No ano de 1981, durante um jogo ilustrado pela fotografia acima entre Atlético Acreano e Juventus, no Estádio do Juventus, válida pelo Torneio do Povo, aconteceu algo que me arrependo até hoje. O jogo caminhava para o seu final e o Juventus tinha um supertime. O ataque era composto, salvo engano, pelos atacantes PAULINHO, CARLINHOS BONAMIGO, ANTONIO DA LOTECA, ROBERTO QUITOLA e ANIZIO. Durante a semana que antecedeu esse jogo, a imprensa "caiu de pau" em cima do zagueiro atleticano LÉCIO, sob a alegação de que esse defensor não era jogador de futebol e, sim, lutador de "vale tudo". Isso porque, de fato, o LÉCIO batia muito. Era um zagueiro vigoroso e avantajado fisicamente, carecia de alguma técnica, porém, era veloz, muito veloz. Significava dizer que, caso ele fosse driblado, logo se recuperava e pegava o atacante na corrida e por trás. Pois bem. O juiz da partida era o GADELHA e se percebia que ele estava ansioso para expulsar o LÉCIO. Só que o nosso zagueiro estava se comportando bem durante a partida e até receioso de entrar com mais vigor em alguém e ser expulso por isso, que era o que a imprensa desejava. Aos 35 minutos da etapa final, o MAURO, lateral do Juventus, avançou pela direita chegando próximo à pequena área, eu saí para "matar a jogada" em seus pés, entretanto, ele conseguiu cruzar e o CARLINHOS BONAMIGO, atacante do Juventus, entrou com bola e tudo com um "carrinho" fazendo 1X0. Não sei explicar até hoje porque fiz isso. O fato é que eu, ao ver a bola dentro das redes e o CARLINHOS BONAMIGO caído ao meus pés de bruços, chutei suas costas com violência provocando uma reação de reprovação da torcida juventina, que ficava numa arquibancada de madeira logo após o alambrado e por trás da trave. Ao olhar para o ANTONIO MOREIRA GADELHA NETO, ví que este árbitro olhava para mim e, adivinhando que minha expulsão era certa, dei-lhe as costas e fui saindo de campo rapidamente. Para minha surpresa, o GADELHA expulsou o LÉCIO, que sequer participou da jogada. Coisas do futebol acreano. Aliás, peço desculpas, embora tarde, ao meu amigo CARLINHOS, pela agressão!
Atlético Acreano, 1980. Em pé, da esquerda para a direita: Ilzomar, Lécio, Jaime, Edson, Pintão e Gilmar; agachados: Paulinho Pontes, Toy, Dodô, Pintinho e Nirval.
O Jornal, 1981.
Atlético Acreano no Copão da Amazônia de 1981. Em pé, da esquerda para a direita: Ilzomar, Pintão, Jaime, Gilmar, Chiquinho e Lécio;agachados: Pitu, Valdir Cachorro, Raimundinho, Targino e Neivo.
Fiquei no Atlético Acreano três anos (1980, 1981 e 1982). Foi nessa época que conheci a IOLANDA, minha futura companheira e esposa. Conheci-a durante uma festa na sede do Atlético Acreano, no mês de maio de 1980. Lembro-me que ela estava em uma mesa na companhia do grande radialista e jornalista CAMPOS PEREIRA, entre outras pessoas. Ali começamos um namoro e a união durou 23 anos e resultou em três filhos. Grande mulher e mãe a IOLANDA. No ano de 1982 nasceu minha primeira filha, a ILZANDA.
Quero aqui registrar mais dois fatos que aconteceram, entre muitos outros, na época que atuei no Atlético Acreano. O primeiro aconteceu na passagem dos anos de 1980 para 1981. O Atlético Acreano foi convidado para participar de um torneio internacional na cidade de Puerto Maldonado-Peru, torneio este que, além do Atlético representando o Brasil, havia equipes da Bolívia e do próprio Peru. Ao final o Atlético Acreano foi o vencedor e, na data de 30.12.1980, dia do nosso retorno, pela parte da manhã saímos às compras no comércio local. Lembro que estávamos numa loja fazendo compras e o grupo era formado pelos seguintes jogadores: o RAIMUNDINHO, o LÉCIO, o PINTINHO, o lateral BENTO, o treinador GUALTER CRAVEIRO e eu. Ao saírmos da loja o lateral BENTO retirou das vestes um lindo carro de polícia de bringuedo e, ao avistar o objeto, o treinador GUALTER CRAVEIRO, que na época era Capitão da Polícia Militar do Acre, ficou louco pelo objeto e ofereceu o dobro do valor que o BENTO alegou ter pago na loja. O BENTO, que todos sabiam que era um tremendo “cheirador de pó” e “fumador de maconha” , mostrava-se irredutível querendo, com isso, aumentar o valor para vender ao GUALTER. Em dado momento olhei para trás e vi uns quatro policiais peruanos vindo correndo em nossa direção. O BENTO também viu e, ato contínuo, entregou o brinquedo para o GUALTER CRAVEIRO dizendo a seguinte frase: “Olha, GUALTER, eu gosto muito de voce e não vou lhe vender `esse´ carrinho, não. Eu vou é te dar de presente. Pega!” O GUALTER pegou o brinquedo e estava agradecendo o “ato nobre” do BENTO quando foi detido pela polícia peruana sob a alegação de ter furtado o brinquedo na loja.
O outro fato aconteceu na mesma época justamente na nossa volta para Rio Branco, quando tivemos que retornar em grupos distintos devido o tamanho da aeronave. Na ida para o Peru três aeronaves foram utilizadas. Na volta, talvez pelo fato de termos saído vitoriosos no torneio, os peruanos só disponibilizaram uma aeronave para o retorno, motivo pelo qual a equipe foi dividida em três grupos. No primeiro foram escolhidos as pessoas que tinham compromissos prementes no Brasil, como era o meu caso, o do Treinador GUALTER CRAVEIRO, o do Jornalista RAIMUNDO FERNANDES, que acompanhou a delegação, e do PINTÃO, que era servidor público. O fato é que já sobrevoando Rio Branco o piloto peruano não pôde descer devido o mau tempo. Pior. O piloto começou a ficar sem combustível e não encontrava a pista de pouso. O Raimundo Fernandes, diante da situação, só faltava vomitar as tripas e o GUALTER, muito nervoso, ficou amarelo e já não falava mais nada. Sugeri ao piloto que aterrisasse na AC-40, que era visível da aeronave, uma vez que estávamos já sem combustível. Ao sugerir isso o piloto peruano quase me espanca e disse que voltaria para o Peru e que não era mais para ninguém dizer uma palavra. Ali achei que cairíamos e que era o fim. Felizmente, o piloto conseguiu voltar e depois disso se recusou a nos transportar novamente.
Diante da recusa do piloto em nos transportar e como já era o dia 31, portanto, todos queriam passar o ano novo com seus familiares, inclusive eu, o Chefe da Delegaçao, o Sr. VAGNER FARIAS, salvo engano, teve que apelar para a benevolência da Força Aérea Peruana, que dispunha de um avião tipo Búfalo estacionado na pista. O piloto dessa aeronave, depois de conversar com os organizadores do torneio, concordou em nos deixar no Brasil. Todos os jogadores, salvo raríssimas exceções, como era o meu caso, haviam comprado vários objetos, muitos deles volumosos e pesados. Um deles, o lateral PINTÃO, havia comprado uma grade de Cusquênha, uma marca de cerveja peruana. O fato é que o piloto do Búfalo, ao invés de nos deixar em Rio Branco-Capital , nos deixou, ou melhor, nos jogou do avião em Inapari-Peru, cidade peruana que fica na fronteira com Assis Brasil, município acreano distante 330 quilômetros da Capital Rio Branco. Acontece que para chegar em Assis Brasil teríamos que caminhar uns 5 quilômetros a pé, pois não havia carros no local. Os aeroportos do Acre na época não operavam à noite e teríamos que correr para Assis Brasil para dali chamar alguns táxis aéreos brasileiros e chegar ainda de dia em Rio Branco. Foi aí que visualizei uma cena engraçada. Os jogadores começaram a deixar pelo caminho os objetos mais pesados porque não conseguiam transportá-los nas costas. O PINTÃO foi o primeiro a abandonar sua grade de cerveja Cusquênha.













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